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Jovem obeso responde melhor a tratamentos conservadores

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Três meses depois de o Ministério da Saúde anunciar a redução da idade mínima para a realização da cirurgia bariátrica de 18 para 16 anos, especialistas ainda repercutem a decisão, que, embora tenha a melhor das intenções, pode gerar desvios de conceitos no tratamento do adolescente. É fato que os índices de obesidade crescem de forma acelerada, com faixas etárias cada vez menores sendo atingidas pelo problema, mas atuar na base e de forma multidisciplinar, ainda deve ser o foco de atenção, especialmente neste grupo.

Segundo Claudia Cozer, endocrinologista e diretora da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (ABESO), a cirurgia não deve ser banalizada com o fim de obter resultados mais rápidos e com menores esforços. “Essa é uma faixa etária em que ainda temos de estimular a atividade física. Lembrando que também podemos usar recursos farmacológicos e o balão intragástrico, antes de se pensar em cirurgia”.

A especialista alerta que a cirurgia é uma decisão para a vida toda e que por isso requer bastante orientação médica, nutricional e psicoterápica, pois as más indicações ou condutas após o procedimento podem gerar reganho de peso, desenvolvimento de transtornos alimentares e carências vitamínicas.

E a endocrinologista reforça ainda a importância da educação de base, que contemple a criança e a família, visto que os hábitos devem ser modificados em todo o núcleo familiar, mesmo que de forma gradativa. “Só conseguimos isso com educação, que deve começar na gestante e na primeira infância. O atendimento pré-natal e pediátrico é fundamental e deve ser continuado com as escolas e meios de comunicação em geral”.

A mesma opinião tem a psicóloga Silvana Martani, especialista com mais de 27 anos em atendimento a jovens obesos, ao afirmar que ao contrário do que muitos pensam, o adolescente responde com menos resistência e adere mais rapidamente às mudanças comportamentais e físicas do que o adulto. “Podemos dizer que o jovem por estar se desenvolvendo e mudando com rapidez, aceita melhor a identificação dos problemas e as transformações necessárias para um corpo saudável”, relata.

Ciente, mais do que ninguém, da importância do acompanhamento psicológico no tratamento da obesidade e da dificuldade financeira de grande parte da população em seguir com uma terapia em longo prazo, Silvana começou há cerca de 10 meses um trabalho de terapia em grupo que atende jovens que se submetem ao procedimento do balão intragástrico. A profissional relata o grande sucesso que tem obtido com os jovens, que com o estímulo do dispositivo se sentem ainda mais motivados ao tratamento, mas também amparados em todo o processo de mudança para poder permanecer bem após a retirada do dispositivo.

“O objetivo do balão intragástrico não é atuar sozinho, mas ser um coadjuvante no tratamento global do indivíduo e facilitar o seu acesso à terapia, por meio de atendimento em grupo. Isso tem ajudado estes adolescentes na conquista de um peso saudável e na melhora de sua auto-imagem”, conclui Silvana.

Fonte: Sistema Orbera

Ivan Stabnov – CRM: 52.58052-7

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